Segunda-feira, Agosto 25, 2008
..:: Cinqüenta.
Já faz mais d'uns três anos que eu joguei minha garrafa por aí e esperei que alguém por azar viesse a ler este blog. Comecei com alguma vergonha e frescura e não tinha a cara-de-pau que tenho hoje, que me faz escrever um post tão curto e besta, só pra dizer que esta é a quinquagésima vez que escrevo por aqui – pode contar! Não tinha mermo. Mas agora sô corajoso. Acabei vindo escrever, já que num me agüentava de vontade de terminar essa notícia, pra poder ir logo comemorar comendo a coxa de galinha desacompanhada que acabei de fazer. Bora nessa?
Gringo.
@ 9:19 PM |
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Segunda-feira, Agosto 11, 2008
..:: Pai daqui, pai do céu, pai noel.
Visitei meu pai faz uns dias, a gente conversou umas coisas e ele acabou achando graça d'uns trecos que eu falei. Ontem foi dia dos pais e o que tá aí embaixo não é sobre ele, não é nada assim demais, mas foi do que ele achou graça. É pra ele, então, que de vez em quando passa por aqui também.
* * *
Dizem que não se discute religião, e eu mermo já num faço isso. Só escrevo. Daí tu faz tua parte, que é só ler aí bem quietinho, e fica tudo certo. Afinal religião não se discute. Dizem só que se acredita, e eu acredito nisso, porque também quero que acreditem quando digo que eu não acredito em muita coisa. Sempre digo isso. Isso só não quer dizer que na minha vida não tenha religião, não. Na verdade tem até bastante, porque dentre essas coisas que eu leio por aí e que num me valem nem mais um décimo na prova, a religião é uma delas. Eu gosto tanto que parece mentira. Quando eu digo que não tenho religião, é porque num acredito em tudo de nenhuma delas, mas principalmente porque não sô bom o suficiente pra me dizer de nenhuma delas. Não acredito em muita coisa e, do muito em que acredito, não consigo seguir nem um pouco ali, à risca. Por isso gosto de quem consegue. É até bonito ver quem – pelo menos foi o que me contaram – conseguiu pôr em prática princípios tão benéficos. Jesus por exemplo me parece um cara bem legal. Parece que eu não gosto de religião mas eu tenho certeza que gostaria de Jesus. Gostaria dele, de Buda e do povo todo. Do que eu num gosto é o fingimento, quando a doutrina parece ser esquecida. Aí num dá. Sem doutrina, como se dizer da religião? Tem muita gente aí que, de Bíblia de baixo do braço, faz coisa pior que esses meus textos. O povo diz que acredita, que é religioso, mas se tu fala em fidelidade, qualquer coisa parecida, nêgo te acha é otário. E olha que isso é só um mandamento. Imagina se fossem os dez! Acho que é por isso é que Jesus num volta. Porque, se ele voltar, matam ele de novo. Se tem uma coisa que eu acredito é que ele - ou o pai dele, sei lá - é onisciente. Pra ficar tanto tempo pra voltar, só sendo muito esperto e sabendo de tudo. Eu imagino um cara falando em simplicidade, amor e desapego às coisas materiais aqui no bairro onde eu moro ou na cidade em que nasci. Coitado! Mas, enfim, chega de fazê-lo sofrer mais uma vez. Afinal é com tudo quanto é religião que isso acontece, até na minha falta dela. O lado da doutrina, do ascetismo e prática moral mermo acho que não existe muito. O importante mermo é acreditar em alguma coisa. Ou quem sabe acreditar mermo é em alguém, que fica mais fácil conversar e pedir as coisas. Daí quando todo o mundo precisa de algo, acaba achando que tem alguém maior pra pedir o que precisa, inclusive eu. Acaba que Deus parece assim mais o Papai do Noel dos adultos. E nós, já muito crescidos, só não acreditamos mais nessa bobeira de escrever cartinha e se comportar bem o ano todo. Pra quê? Isso, sim, é que não se discute.
Gringo.
@ 11:12 PM |
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Terça-feira, Agosto 05, 2008
..:: Faze o que tu queres.
Muito do pouco que eu sei me fez achar que, sempre que dá, vem logo alguém pra meter a mão na tua liberdade e ganhar um pouco mais pra si. É pior do que dinheiro. Essas coisas foram me fazendo meio que em luta constante pra ser o mais livre possível e ter agonia a cada tentativa que eu veja de se fazer o contrário. Seja me livrando das porcarias que comprei ou tentando abdicar de certos vícios, o negócio sempre foi tentar ser livre. Poder ser comunista, liberal ou reacionário e dizer isso pra todo o mundo sem ter de tomar choque na língua, não sei por quê, me faz sentir bem. E quando penso em algo mais simples vejo que caminhar na praia à noite com o cabelo engrenhado faz também. Resisitir às propagandas do que eu não preciso, enxegar parcialidade na tevê e negar o refrigerante naquelas perguntas convincentes também é algo assim. Qualquer coisa que se faça por escolha própria é a maior forma de liberdade pra mim. Volto lá e digo que, ei, agora eu quero aquele refrigerante. Quero ser enganado pelo horário eleitoral gratuito e quero fazê-lo tomando Coca-Cola! Eu posso. Liberdade mermo é não se privar de desejos. Né mermo? Ou não é? Vai ver liberdade não é usar calças largas e procurar coisas simples. Vai ver é fazer todo o contrário. Talvez em ser livre fazendo força tenha menos liberdade que em ser preso, de calças justas, e gostar disso. E quem sabe o viciado e o controlado, o enganado e o iludido sejam escravos por escolha, mais felizes que eu e você juntos.
“Se eu quero e você quer
Tomar banho de chapéu
Ou esperar Papai Noel
Ou discutir Carlos Gardel
Então vá
Faze o que tu queres
Pois é tudo
Da lei, da lei”
Gringo.
@ 11:41 PM |
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Quinta-feira, Julho 03, 2008
'Fêssora, acho que terminei.
Mas já?
É, eu gosto do tema. Foi tranquilo escrever. Né não, Rodrigo?
Mas foi muito rápido. Assim você acaba errando. Vá pensar mais um pouco, revisar o texto.
Precisa não, 'fêssora...
Hm, deixe-me ver.
É... dá aí a sugestão da senhora, que eu corrijo.
Hm... 'Tá vendo? Escrever tão rápido assim... só podia dar nisso. Seu texto está com alguns erros...
Ah, é, acho que esqueci do acento. Urubu tem acento?
Não é isso, menino. Isso é um texto dissertativo. A gente não deve usar 'eu acho', coisas desse tipo.
Ahn?
Não pode ser assim, tão pessoal.
Mas eu achei que era pra dizer o que eu achava. E olha que o Flamengo merecia pior...
Olha, o tema é futebol, que é pra estimular vocês, mas é um texto sério. Você tem que me convencer, passar credibilidade.
Ah...
Você deve escrever na terceira pessoa, que aí não soa pessoal, soa mais verdadeiro.
Como assim terceira pessoa?
Para quem está lendo, não pode parecer sua opinião, entendeu?
Mas aí eu faço o quê? Tipo, pergunto a alguém e escrevo? O Rodrigo num sabe de nada... Minha mãe nem entende de futebol... mas eu posso perguntar a ela assim mermo.
Não, menino... Só tem que passar credibilidade!
É mermo... nada a ver perguntar a minha mãe. Meu pai, sim! Meu pai lê bastante...Ele deve ser uma boa terceira pessoa. Ele deve ter esse negócio aí que a senhora 'tá falando. Acho que a senhora vai gostar.
Não é para perguntar a ninguém! Você tem que escrever suas idéias, mas parecendo que não foi bem você quem escreveu.
Ahh, sim. Isso é fácil, 'fessora. Era só dizer antes. Esse negócio de fingir é mole. Mentir pra ganhar cre.. credri.. credibilidade...Mas, ei! a senhora 'tá me falando a verdade, né?
Não! Digo... Não é isso! Não é mentir... Olha, deixa isso pra lá. Além de tudo, você tem que tomar mais cuidado. Seu texto está muito adjetivado.
Como assim... adjetivado? Tipo igual a senhora tinha dito, que adjetivo tinha a ver com qualidade? Até que enfim a senhora gostou de alguma coisa, hein...
Ai, meu Deus... Você está falando muito que fulano é isso, que é aquilo. Criticando com palavras fortes demais, quase xingando.
Mas professora... é o Flamengo!
Mesmo assim.
Ih, era melhor a senhora ter pedido pra falar de outra coisa então... E, olha só, a terceira pessoa sua m..., ô, minha mãe, meu pai, sei lá, já não 'tá achando graça nesse negócio de escrever, num tá entendendo mais é nada. E é segredo, mas pra senhora eu digo: a terceira pessoa sô eu!
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Escrevi isso aí pensando nos outdoors que vejo pelo Recife. Vários e vários cursos intensivos de Redação, que vão realizar bem a tarefa de criar trauma de escrita nos alunos e, ainda assim, encher o bolso de dinheiro.
Gringo.
@ 9:49 PM |
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Segunda-feira, Maio 19, 2008
..:: Priorize as prioridades.
Qualquer dia desses por aí uma coisa qualquer me fez pensar em prioridades. 'Tava indo à parada perder o ônibus pra faculdade – uma dessas sérias prioridades-, quando o vi passar e não corri pra pegar. Fiquei sem jeito de repetir minhas corridas em público, porque já aprendi que evitar esse tipo de coisa, pra gente adulta, é uma prioridade maior que estudar na hora certa. Se você corre, te olham; e você só quer ser olhado mermo se o motivo for aquela roupa brilhante. Então você fica parado. Foi o que eu aprendi. Agora não faço o que fazia. Antes não era bem assim. Se eu 'tivesse no shopping e quisesse cagar, eu corria era na hora. Cagar em casa era mais importante. Aquilo, sim, era prioridade. Agora o esquema é outro. Se tiver alguém doente, precisando da gente, é capaz d'a gente chegar atrasado e num ajudar o coitado. Correr não pode. A gente cresce e aprende a ser besta. Foi assim que eu aprendi.
Hoje eu tô por aí, com outras coisas em mente que não cagar em paz na minha casa. O cara vai crescendo e vai disputando com os amigos vagas além do time de futebol de terra. Vai crescendo e vendo gente pra quem, aliás, jogar bola em futebol de terra ou qualquer coisa desse tipo já não é prioridade há muito tempo. Vai conhecendo incríveis pessoas pra quem dormir (!) não é laaá uma prioridade também. Vê que o princípio do dinheiro é às vezes maior que aqueles nossos. E conhece o corre-corre em que cada um escolhe suas prioridades às vezes sem comer, sem dormir e, é claro!, sem correr. Mas também escolhe as próprias e vê que sempre dá tempo de desenhar, tocar e escrever. E o assunto o cara escolhe no tempo que ganha do ônibus que costuma perder.
Gringo.
@ 1:27 AM |
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Quinta-feira, Abril 10, 2008
..:: Alguém ajuda?
Há algum tempo eu quis ajudar alguém e desisti. Não foi por maldade. Sei que falar isso logo agora, que 'tamos todos – tamos? - ajudando o Tibete a se libertar, pode fazer parecer que eu sou um ditador chinês; mas não é isso. Eu juro que acho que não é. É que, assim..., ajudar alguém pode ser complicado. Podem até dizer que ajudar é bom - e quando ajudo, às vezes, funciona; então desconfio que seja verdade. Acontece que nem sempre é assim - e aí vejo que é verdade mais ou menos, verdade de vez em quando, igualzin' a todas as verdades. Foi por isso – e não por ser um ditador chinês - que dia desses deixei de dar minha sugestão pra tentar ajudar um amigo meu. Alguns dias antes d'ele apresentar sua tese, eu li alguns de seus textos e não dei minha opinião sincera. Achei que, em vez de ajudar, poderia deixá-lo mais inseguro pra apresentação e tudo o mais. Fiquei quieto. Passados alguns dias lá 'tava eu assistindo a apresentação, torcendo e ouvindo alguém da banca criticar a estruturação do texto do jeito que eu teria feito. Fiquei puto. Perdi uma ótima oportunidade de não ficar calado. Não ajudei e poderia ter ajudado. Fa-z-o-quê? Isso, afinal, é escroto demais. Num dá pra saber no que vai dar. É como Fátima, que, querendo ajudar, sempre acerta e põe tudo aqui em casa num lugar perfeito. Perfeito pr'eu nunca mais achar. Vô fa-z-o-quê, cara? É complicado pra carai.
Quando a gente tá realmente convencido de que pode ajudar, aí a coisa ainda piora. Sabe aquela estória de que todo brasileiro é médico e técnico de futebol? A gente acha que sabe o que é bom pra doença, o que é bom pro time... Uma maravilha. Ninguém sabe o que é bom pra própria vida, mas pra saber de outras coisas é num instante. Alguns de nós têm profissão de palpiteiro e outros só são palpiteiros de profissão - os vizinhos que o digam. Se é pra dizer o que alguém não pode jogar, ler, ou até comer(!), sempre tem alguém inteligente. Ou, em outros casos, há também um juiz esperto que sabe o que faz – e não pára por aí. Formamos muitos, somos todos palpiteiros, somando-se os individuais. E, como somos todos palpiteiros e todos são a maioria, 'tá nas nossas mãos o poder de ajudar a impor nossos conhecimentos – de medicina, de futebol, de religião – naquela velha minoria - que ainda reclama, ingrata! Só queremos ajudar. São decisões democráticas; eles têm de aceitar. Afinal, nós sabemos o que é bom pra eles - a maioria sempre soube! sempre tomou as maiores decisões. Foi a maioria que gritou pela crucificação de Jesus e é também a maioria que, hoje, tenta – tenta? - seguir seus passos como a verdadeira das religiões. Sábias decisões. Teve também aquela maioria lá, não lembra?, que apoiou as medidas de genocídio d'um tal bigodudo. E ainda aquela outra que, pra ajudar os iraquianos, elegeu um conhecido orelhudo. Entrar em suas casas e ensinar a criar seus filhos, todas ótimas ajudas vindas de quem sabe o que é melhor pra todos sem nem perguntar. Porque, ainda que não tenhamos nada com o assunto, impor nossa ajuda parece ser o caminho e talvez nunca consigamos parar. Seja aqui, ali, ou pra lá de Bagdá.
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Se a maioria achasse bom se apossar de tudo que é da minoria, seria válido? Se ela proibisse alguém de ter tal religião, como já foi feito, seria bom?
Escolher pela maioria é realmente melhor que somente por alguns. Mas será que a escolha feita, em alguns temas, não pode ser de deixar que cada um escolha por si? Será que num é possível deixar alguém usar burca, guardar o detergente do lado direito e a roupa pendurada no chão, viver na matrix, usar coleira ou ser judeu, se assim ele quiser, ainda que não se goste? Acho que é, sim. Mas a gente quer ajudar. Porque a gente sabe o que é bom pro bem comum.
Gringo.
@ 12:39 AM |
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Domingo, Janeiro 13, 2008
..:: Verdade x Mentira
O que dizem que acontece por aí, que a gente já pega pela metade, é sempre um mistério. Dizer o que é verdade, o que é parcial, coisa e tal, sempre foi meio complicado. Qualquer coisa que se conte já não é mais como foi. Quem conta aumenta um ponto, que ainda vai se estender depois. A verdade só depende de quem conta, e como ele conta depende da vontade. Não ‘tá só na Veja nem só na Globo a mentira com a tal parcialidade. Como o povo às vezes diz, só se acredita em julgamento imparcial no carrinho de bebê e na lá corte do juiz. O que pra nós é verdade é só aquilo que a gente achou bonito. A gente acaba só escolhendo a fonte que acha melhor e isso, na verdade, faz pouca diferença; pouco importa. No final, independente de qual, ainda há a chance de alguém descobrir e vir dizer que nossa verdade, na verdade de verdade mermo, era mentira. Que plutão não era bem um planeta e que a luz também se entorta. E é por isso que, pra não errar, às vezes o melhor é escolher aquelas fontes confiáveis, que falam a verdade quando dizem que mentem. Que nos dizem que dá pra ir ao centro da terra, viver uns 400 anos e ver gato falar - mas mentindo assumidamente. Tudo inventado. Bem melhores. Outra coisa também pode ser boa de se ler, mas alguém é que viu antes e já vem tudo recontado - sempre se questiona, não é estória e não dá nem pra ajudar a inventar. Conto, causo, romance, isso é que é mentira de verdade! O resto é tudo uma grande História, mentira de mentira, que a gente às vezes realmente pode deixar pra lá.
O Lula Sabia? Ele vai tentar se eleger de novo? Quem é o bandido? O cara morto pelo promotor era mermo assaltante? Aqueles ataques fizeram parte de uma conspiração? O aquecimento global não é causado por nós? Sei lá, sei não. Vô ler meus anos de solidão.
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É verdade, sim, que a Veja, Globo e esses meios maiores são parciais. Mas também é verdade que todos o são. É só olhar os sites daqueles que se dizem sem máscaras e daqueles independentes, que aí se pode ver, apesar das coisas boas, muita parcialidade. Não tem outro jeito. É escolher o teu.
E, ah, “Verdade x Mentira” é também uma música da nossa banda, a Overdose Homeopática.
P.S - Eu ia deixar pra comentar sobre ele em outra hora, mas vi que quanto antes melhor. Então tá aí: Ron Paul. Um candidato que pra mim parece decente e de quem normalmente não se vê falar nada.
A eleição não é daqui, mas o resultado, cês sabem, pode fazer a diferença pra gente também.
Gringo.
@ 1:00 AM |
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Domingo, Novembro 25, 2007
..: Orgulho Brasilis.
Faz um mês mais ou menos que, andando pela praia com a namorada, vi uns amigos jogando futebol americano d’um jeito que, se tivessem me dito, eu não acreditava. Era uma mega-produção bem ali, na areia: tinha apoio da prefeitura, time vindo de longe, gente assistindo e tudo o mais. Tinha líder-de-torcida, que se chamava cheerleader. Tinha uma bola, que não era a redonda. E tinha o orgulho do time, estampado ‘Mariners Pride’, que me fez pensar sobre o nosso, ou se ele existe.
Não me fez pensar que não se deve jogar futebol americano, não. Nem que não devemos jogar basquete, ou que eu devo largar meu skate. Não é isso. Esporte é esporte e é bom independentemente de onde venha. Só me fez pensar que gostamos tanto do que é de fora, que às vezes o que é daqui fica escondido.
Eu não vejo problema em conhecer e gostar das coisas por aí. De jeito algum. Se enriquecer de tudo que é jeito é válido. Não tem menor problema em assistir aos filmes de Hollywood, ou seja lá de onde for. Agora... será que não tem problema em saber, torcer e acompanhar a estatueta de ouro lá e deixar de lado os festivais brasileiros? Talvez não seja ruim que grande parte do nosso dinheiro dado aos cinemas vá pra filmes de fora, enquanto outros tantos nacionais passam despercebidos?
Não há problema algum em admirar e ter como ídolos gente deste e daquele país. Tem gente que tem talento e merece atingir a todos mermo. Mas como é que a obra desse povo atravessa os continentes e chega à gente aqui com tanta força, enquanto o que vem daqui se sufoca pra sair do bairro? Como é que todo o mundo conhece Charles Chaplin e poucos viram Mazzaropi?
Eu realmente acredito que a mescla de culturas pode, sim, enriquecer as coisas. O que eu ‘tô falando aqui é que não dá pra misturar a dos outros com a daqueles outros outros – e deixar a nossa de lado. Não dá pra deixar de gostar do próprio país e do bom que sai dele. É isso que não pode.
Acho desnecessário, por exemplo, ficar usando uns estrangeirismos pra fazer as coisas parecer mais interessantes, quando há correspondentes bem normais no português – ao contrário de outros casos. Não agüento mais ver lojas em sale com tantos porcento off e workshops de tudo que é tipo. Hoje eu vejo, inclusive, a infeliz idéia que eu e minha antiga banda tínhamos de cantar em inglês, achando que poderíamos ser ouvidos por mais gente – enquanto a gente mal saiu do bairro - e agora gosto muito mermo de poder escrever no bom e velho português.
Fico pensando que a gente deve ter orgulho daqui justamente pra fazer coisas melhorarem, da cultura ao social, e não ter orgulho só de certas coisas que já são boas. De vez em quando me pego imaginando se o Brasil não tivesse as coisas naturais que tem, ou se não tivesse o futebol que temos. Aí, sim, estaríamos fudidos. Mas ainda temos o sol, muita água, bom clima, o futebol... Então ‘tá tudo bem. Relaxa que lá vem a Copa.
Desde já fico imaginando o time ganhando e o povo todo cantando: sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor. E nas ruas, do lado de fora do estádio, o orgulho do brasileiro se mostrando na forma de assalto e enganação aos gringos otários – que adoram se enganar por aqui.
Até lá, só espero sinceramente que, entre roubos, desvios e super-faturamentos, alguém consiga enfiar entre as arenas a construção d’um orgulho próprio. Quem sabe assim alguns turistas se enganem de verdade com nosso país: venham procurando mulher pelada e só achem o bom futebol e coisas boas. Quem sabe assim a gente deixa de só reclamar da imagem que eles têm daqui e passe também a construí-la, em vez de largá-la de lado pra admirar a dos outros. Quem sabe?
P.S – Esse texto era pra ser escrito no dia da Bandeira. Mas não deu tempo. Então palmas pra você, professora de Estatística, que adiou a prova e me deixou escrever.
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Na semana passada, no Fantástico, passou um povo dizendo que o aquecimento global é uma farsa. Ufa! Melhor assim. Porque aí já podem dizer ao cara que ‘tá empurrando o mar pra cima que ele foi descoberto, que já bateram o nome dele e que a brincadeira morgou. Quem sabe assim ele devolve a metade da minha praia que sumiu, já que eu ainda quero jogar bola. Já ‘tava na hora.
Novembro é um mês engraçado. Vem chegando o fim do ano e as lojas querem te convencer de que o fim de dezembro ‘tá perto - pra tu comprar as coisas de Natal - e que tu só vai pagar tudo laaaaá em janeiro – que nunca ‘teve tão longe. Interessante.
Os insones que me perdoem, mas eu sinto falta do tempo em eu não conseguia dormir. Era melhor. Quando eu via filmes que me interessavam, eu conseguia ficar ligado na estória e tal; não dormia. Agora eu durmo. Antes, assistindo aos jogos do Flamengo, eu não dormia de jeito algum. Agora? agora eu durmo. Dentro do estádio. O Maracanã. E não tem quase nada que dê jeito.
E agora deix’eu ir, que ‘tô com sono.
Gringo.
@ 11:46 PM |
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Domingo, Novembro 04, 2007
..:: Que é que tu sugeres?
Por esses dias, indo pra faculdade, vi o que tinham anunciado no jornal: a reitoria da UFPE, assim como várias outras por aí, tinha sido ocupada pelos estudantes. Vi que mais uma vez os universitários se mobilizaram e fizeram algo pelo que acreditam. Mas vi, também, que eles repetem um problema que muitas vezes eu vejo por aí, nessas manifestações de que inclusive eu já participei: falta de sugestões viáveis e justificadas.
Não foram poucas as vezes que li, pelos cantos da UFPE, os panfletos deste e daquele grupo, prestando atenção a cada uma das reivindicações. Acontece que, na maioria, ‘tava sempre uma lista de coisas a serem pedidas e nenhum tipo de justificativa ou argumento que mostrasse a viabilidade do negócio. E pra mim, desse jeito, todo o movimento consegue perder sua credibilidade e poder de persuasão. O povo só parece não se dar conta disso. E continua.
Nessa última ocupação, a luta é contra o Reuni: uns dizem que são contra a forma com que ele foi aceito; outros, que são realmente contra o decreto, mas – adivinha! - não dizem o que gostariam que fosse feito. Daí o caso se repete, não volto a participar nem me convenço de novo.
Não se trata de desmerecer o questionamento do decreto – que, concordo, apresenta vários defeitos. Não. O negócio é parar pra pensar até quando vamos ou podemos agir assim. Vem um projeto, ele apresenta defeitos, daí nós os apontamos e esperamos que o próximo venha - pra que, então, repitamos a reclamação? Assim vai levar trinta e sete mandatos e cento e setenta e três decretos pra que nos demos por satisfeitos. Saber o que não presta é um passo, mas de nada adianta se não se sabe o que deveria prestar. Afinal, não aprovar o decreto só deixa as coisas inalteradas, sem o novo ânimo de que o ensino ainda vai continuar precisando. E se a intenção do governo, que quer parecer boa, pode ser ruim, a falta de uma intenção clara ainda me parece pior.
Se aumentar a relação de alunos por professor é puramente um número e não garante a qualidade do ensino nem a manutenção da pesquisa – o que é verdade-, cadê as sugestões para que isso seja feito de outro jeito?
Já que as melhorias sugeridas pelo decreto podem causar modificação só quantitativa nas conclusões e, com isso, piorar o ensino, o que fazemos, então, pra que essas conclusões realmente melhorem?
Eu particularmente acho engraçado um governo querer estimular a conclusão do curso superior com uns remendos bem questionáveis e esquecer da reformulação de toda uma estrutura acadêmica. Talvez o povo que anda por lá não saiba que um professor incompetente – que é odiado, mas ‘tá sempre certo e é protegido pelos corporativismo e burocracia da instituição pública – desestimula muito mais a paixão de um aluno pelo conhecimento que qualquer outro número à sua escolha. E que assim não há curso – e conclusão – que agüente.
Acho também muito estranho nada disso ser baseado em mérito relativo – veja bem: relativo a outras instituições, e não a um número-, já que esse pra mim é o principal sinal de qualidade e estímulo ao avanço. Talvez fosse melhor que as faculdades, além do que já é destinado a elas, recebessem proporcionalmente a suas produções acadêmicas, seus artigos científicos etc. - em vez de dar bolsas previamente garantidas a gente que muitas vezes não produz nada ou dinheiro em troca de estatísticas bonitas que dizem menos ainda. Quem produzisse mais ganharia mais - e assim quem produzisse menos se estimularia. É basicamente a merma idéia, mas com metas mais mensuráveis e reais. Fruto de um reino distante, laaaá da meritocracia.
Agora... o que eu acho, isso ou aquilo, deve importar pouco. Estudante que discorda de ambos os lados, eu sô só um blogueiro safado. Minhas sugestões não devem ser das melhores, eu sei. Mas sei também que, sem sugestão, as reclamações virão e vão voltar mais e outra vez. Vão voltar porque, ainda que os motivos tenham lá sua razão, de pouco adianta reclamar muito e não ter a tal da solução.
Gringo.
@ 6:33 PM |
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Sexta-feira, Outubro 26, 2007
..:: Frágil, né...
Quando vi “Bonequinha de Luxo”, baseado na obra lá de Capote, eu fiquei pensando no poder que uma mulher tem. Não que eu nunca tivesse pensando nisso antes. Não. Sempre tive certeza disso. O negócio é que veio à cabeça o quanto isso é verdade mais até do que a gente imagina.
É impressionante como cada uma, todas, uma a uma, toodas as coisas que a gente faz parecem ser pra conquistar as mulheres. É tanta declaração que não dá pra contar. É tanta rima de paixão com coração que elas já num devem mais agüentar. Já perdi as contas de quantos homens ouvi cantar para Anas Júlias, Camilas, Bárbaras, Carolinas e Etecéteras. E a última mulher que eu vi dizer, numa música, que gostava d’um homem disse “olha a minha cara de quem gosta de você”, mas por algum motivo eu desconfio que num era muito sério.
Vai saber...
Tu pode até argumentar que há muito mais homens que fazem música do que mulheres. Concordo. Só que aí deveria também haver muito mais homens dizendo, nessas mermas músicas, que não precisam dessas inúteis, né não? Mas o que se vê é lésbica se declarando, beijando uma a outra e ainda sendo o sucesso do verão. Sem contar aquelas que aprenderam a se virar sozinha, pra depois nos abandonar. Sem contar o ídolo do roque nacional dizer que é fera e que gosta é de meninos. Sei lá. Disconcordo.
Isso tudo é muito sério. Minha conclusão é de que o rumo do mundo foi mudado pelo poder delas. Descobri, por exemplo, que a razão do povo dizer, quando alguém abaixava, que era naquela posição que Napoleão tinha perdido a guerra era justamente porque ele era homem. Fosse ele uma mulher de bunda linda, em vez de um baixinho meio barrigudo, o ditado seria outro. Tenho certeza. Assim como tenho certeza, também, que Hitler perdeu a guerra mais ou menos pelo mermo motivo. Concluí fácil que ele não conseguiu ser dono do mundo como ele gostaria porque ele tampouco era mulher - como na verdade também gostaria. Se ele fosse, a guerra seria outra. Não precisava nem de exército: com um charme valioso de austríaca excêntrica, ele passava a lábia em Stálin, deixava os demais de quatro, na posição de Napoleão, e queria ver quem perdia a guerra... Sem chance.
Isso tudo é ainda mais sério. Muito sério. Dizem por aí até que os homens, tentando parecer os poderosos, esconderam várias provas do poder mulherístico por aí. A lenda conta até que Maria Madalena era muito mais considerada por Jesus que seus apóstolos. E desde então tem um bocado de homem tentando sair por cima, escondendo os segredos, o Graal e tudo o mais. É... é... Vai saber. Vai ver ela era como a Nossa Senhora lá do Auto da Compadecida, que resolvia tudo. Ficava aquela confusão, o diabo querendo uma coisa, deus querendo outra e os julgados outras que não essas. Daí vem ela, simpática que só ela, diz como tudo vai ser e de repente tudo fica em seu lugar. Dá pra tu? Nem pro diabo, rapá. Nem pra deus!
Tenho certeza até que lá na casa deles quem manda é ela, a Nossa Senhora, no estilo Godmother. Nós, os homens, dizemos que deus é que sabe das coisas só pra nos sentirmos melhor. Porque, no fim das contas, é ela que sabe dos segredos.
Aposto que ela, muito esperta, só fica na dela, fazendo um milagre de vez em quando, enquanto o filho recebe reclamação de todo o mundo.
E pra não perder o comando, nem dizerem que ela é ruim, deixou até que ele pintasse o teto da casa de azul, que era a cor que ele queria. Mas é claro que foi ele que fez o trabalho todo. E dentro do prazo que ela deu, que foram os tais dos sete dias.
Sem dúvida.
Gringo.
@ 8:48 PM |
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